O caso do navio
O recente naufrágio do navio Costa Concordia aqueceu algumas discussões acerca dos erros humanos e chegou a virar capa de revista, inclusive no Brasil.
Alguns afirmam que “ainda estamos reféns do erro humano, apesar de toda a tecnologia” (revista IstoÉ, link). De forma alguma condenarei a reportagem, basta ler a mesma e entender que é uma reportagem bem produzida, de bom conteúdo e imagens, vou apenas expor meus pensamentos sobre o dito erro humano.
O quanto erra o humano?
“Errar é humano; perdoar é divino”, segundo Alexander Pope, poeta britânico. O ser humano, enquanto animal racional, raciocina (daí racional) sobre seus atos e seus erros. Outros animais também erram mas não necessariamente pensam sobre seus erros. Uma zebra, por exemplo, pode subestimar a distância de uma leoa e ser predada – e este erro lhe custou a vida!
Raciocinando, julga e tenta evitar novos erros, baseado no aprendizado anterior, nas “lições de vida”. O julgamento é tanto que os pais, ao criar seus filhos, costumam impor seus medos à eles, tentando protegê-los de situações onde, anteriormente, erraram.
Com isso, concluo que errar faz parte do cotidiano de qualquer animal e que nós, seres humanos, podemos apenas evitar novos erros baseados em uma experiência anterior, sendo assim, o chamariz da reportagem é apenas o óbvio, sempre fomos e sempre seremos reféns do erro humano, pois somos humanos e como humanos, erramos.
A questão é que ainda não há tecnologia que substitua o poder de decisão complexo de um ser humano, no comando de determinadas máquinas. Ensaios como os de Isaac Asimov nos alertam com certeza de que criar um ser mecânico com funções e atitudes humanas transforma-o em humano e, como todo humano, toma decisões erradas.
A saída, ao menos nos moldes tecnológicos atuais, com certeza é a seleção criteriosa dos operadores dessas máquinas, como dos pilotos de grandes aeronaves, dos comandantes de navios e outras atribuições tão importantes quanto, levando até a pensar na necessidade da formação específica para presidentes (políticos em geral), policiais e oficiais de segurança, condutores de automotores, etc. Essa criteriosidade, baseada na eliminação de candidatos à vagas cujo perfil psicológico, formação e histórico de vida não sejam compatíveis, assegura que uma decisão correta será tomada no momento correto.
Mas reféns dos erros humanos sempre seremos, pois somos humanos e sendo humanos, erramos.


